Design e moralidade

VALORES DA PRODUÇÃO E DO CONSUMO, DO SÉCULO XVIII AOS DIAS DE HOJE

 

OBJETIVOS

O objetivo desta disciplina é investigar alguns dos principais valores que, do século XVIII ao XXI, orientaram (e orientam) nossas relações com os bens materiais. Começaremos observando alguns conflitos morais que emergem nas primeiras reflexões sobre a produção industrial e seus impactos estéticos, políticos, socioeconômicos e psicológicos. Muitos dos conflitos morais que nos interessam nesse primeiro momento começam a ganhar corpo na Inglaterra – o que não surpreende, dado seu estatuto de “berço” da revolução industrial. Ao estudar a tradição da filosofia social e da economia política inglesas do século XVIII e XIX, encontraremos algumas das raízes morais que orientam polos opostos de muitas disputas contemporâneas acerca dos rumos ideais da produção material, do consumo, do trabalho e da técnica. Seguiremos estudando desdobramentos desses conflitos, bem como novas disputas morais que emergem nos séculos seguintes, no Ocidente. Finalizaremos com a reflexão sobre algumas questões morais relevantes na cena contemporânea, como aquelas relacionadas à sustentabilidade, à noção de responsabilidade social e ao papel da tecnologia.

A abordagem aqui proposta parte de um ponto de vista amoral e tem como foco a história dos valores. Não questionaremos, portanto, como o design pode levar a algum bem estabelecido, e sim: por que certos bens (ou seja, certos valores) encontram-se estabelecidos? Como eles transformam nossa visão do design?

 

PLANO DE AULAS

1. (22/03) Aula expositiva
Apresentação da disciplina e temas gerais.

2. (29/3) Aula expositiva e discussão de textos
Portugal, D. B. Éticas do design; Design e melhoramento de mundo. Revista Não Obstante, v. 1, n. 1, 2017.

3. (05/4) Aula expositiva e discussão de textos
Nietzsche, F. Genealogia da moral. I, 10, 13, 14, 15; II, 18.
_____. Crepúsculo dos ídolos. V (moral como antinatureza), 4, 5, 6; VI (Os quatro grandes erros), 1, 2; VII (Os “melhoradores” da humanidade), 1.

4. (12/04) Aula expositiva e discussão de textos:
Weber, M. A ética protestante e o “espírito” do capitalismo, I, 2 (O “espírito” do capitalismo).

5. (19/4) Aula expositiva e discussão de textos:
Campbell, C. The romantic ethic and the spirit of modern consumerism, 3 (The puzzle of modern consumerism).

6. (26/4) Aula expositiva e discussão de textos:
Portugal, D. B.; Salgado, J. “O mundo dos bens para além do vício e da alienação” (não publicado. Vou mandar por e-mail).

7. (03/5) Seminário e discussão de textos
(S1) Denis, R. C. Introdução à história do design, 2, 4 (do capítulo 4, apenas a parte “design e reformismo social”). Responsável: Katy.
(S2) Sennett, R. O artífice, I, 3 (Máquinas). Responsável: Carolina.

8. (10/5) Seminário e discussão de textos
(S3) Smith, A. The wealth of nations, I, 1-4.
(S4) Ure, A. The Philosophy of Manufactures, I, 1.

9. (17/5) Seminário e discussão de textos
(S5) Ruskin, J. The nature of gothic. Responsável: Andrea.
(S6) Morris, W. Signs of change, 1 (How we live and how we might live). Responsável: Frederico.

Dia 24 de maio não haverá aula

10. (31/05) Aula expositiva: valores iluministas e românticos, nos sécs. XVIII e XIX

11. (7/6) Seminário e discussão de textos
(S7) Loos, A. Ornamento e crime. Responsável: Eliane. [link para uma versão melhor em inglês]
(S8) Wright, F. L. The art and craft of the machine. Responsável: Rafaela.

12. (14/6) Seminário e discussão de textos
(S9) Marx, K; Engels, F. Manifesto comunista. e  Marinetti. Manifesto futurista. Responsável: Victor.
(S10) Papanek, V. Design for the real world, 1-3. Responsável: Mariana.

13. (21/6) Seminário e discussão de textos
(S11) Radice, B. Memphis. Responsável: Marcelo. Leitura complementar: encarte sobre Memphis
(S12) Zerzan, J. Twilight of the machines, II, 8 (Twilight of the machines), 15 (Breaking point?). Responsável: Rômulo.

14. (28/6) Debates: os valores da produção e do consumo nos dias de hoje.
Leitura para debate: Latour, B. Um prometeu cauteloso?

15. (05/7)Orientação para o trabalho final e Considerações finais.

 

AVALIAÇÕES

1. Seminário

Deve ser apresentado no seminário:
1. contextualização (tanto relacionada ao momento histórico quanto ao autor).
2. Apresentação das principais propostas da obra.
3. Exploração dos pressupostos valorativos que parecem guiar as propostas do autor.
4. Breve relação das propostas do autor com ao menos uma outra visão semelhante e uma outra visão antagônica. Ou, se for mais relevante, como o próprio autor lida com visões antagônicas.

A ideia é que o seminário comece com uma apresentação de cerca de 30 minutos e siga com um debate de 1h, que deve ser orientado pelo(a) responsável. Não há problema se a apresentação se misturar com os debates e se diluir ao longo da 1h30 reservada ao seminário, desde que não ultrapasse esse intervalo.

2. Artigo

Um artigo acadêmico (com citações e referências realizadas segundo as normas da ABNT) com entre 5 e 10 laudas. O artigo deve tratar de tema relacionado à disciplina. Ou seja, deve tratar da relação entre design e valores e, de preferência, citar ao menos um dos autores estudados. Podem ser estabelecidas relações com o objeto da pesquisa de mestrado/doutorado, mas isso não é necessário.

 

REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES

Teóricas:

Material para investigação genealógica dos valores da produção e do consumo:

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